Hoje saímos de Cusco às 7:30, com destino à cidade de Puno, às margens do lago Titicaca.
É uma viagem longa, dez horas de trem. O trem é operado pela mesma empresa que opera o Orient Express, uma empresa britânica. É um serviço de primeira linha, com almoço e chá da tarde, shows típicos e o mesmo desfile de moda bizarro de ontem. Às margens da ferrovia, povoados inacreditavelmente pobres e grudados na linha férrea. Grudados mesmo, o trem praticamente passa esbarrando em barracas em um destes povoados (que parecia uma mistura de 25 de março com Florêncio de Abreu – bugigangas e ferramentas profissionais).
Outro povoado vive exclusivamente dos artesanatos que vendem para os turistas que passam lá de trem. Um detalhe: o trem passa apenas três vezes por semana. Menos mal que vem cheio de europeus endinheirados. Dá para imaginar que as pessoas deste povoado vivem em função de um trem que passa a cada dois dias, e pára lá por apenas dez minutos? Os ecossistemas que atravessamos são muito variados e tiramos fotos lindas. O trajeto é, desde o começo até o final, feito sobre a Cordilheira dos Andes, chegando a 4380 metros de altitude no trecho mais alto (exatamente aquele do povoado mais pobre).
Depois de dez horas de tche-tcheng-tche-tcheng (em primeira classe, mas ainda assim, tche-tcheng) chegamos a Puno, capital do Departamento (o estado deles) – e sem brincadeira – faz a periferia de Guarulhos e Itaquaquecetuba parecer Jardins. Nosso hotel é muito legal, fica às margens do Titicaca, afastado do centro da cidade (foi escolhido a dedo). Por hoje, só vamos descansar, e amanhã vamos conhecer as comunidades lacustres.
Algumas fotos a mais, para ilustrar esta viagem de trem…
